EDUCAÇÃO
ESCOLAR DE PESSOAS COM SURDEZ – ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO EM
CONSTRUÇÃO:
Regina
Valiente de Paula
Na educação de pessoas
surdas, especialmente na proposição do ensino regular, é comum o embate entre
correntes oralistas e gestualistas, em busca de definir qual seria a melhor
opção. O surgimento do bilinguismo, que traz uma posição de meio termo nessa proposição,
retirando o protagonismo da língua portuguesa e equipando em importância a
aquisição da linguagem de sinais com a mesma, trouxe uma nova dimensão às
práticas, mas, ainda pouco se sabe, se registrou ou se conhece quanto aos
efeitos práticos do bilinguismo, especialmente no cenário brasileiro.
O processo de inclusão é
pautado no oferecimento de oportunidades educacionais equitativas, no qual
todos poderão ter acesso a vias de desenvolvimento de seu conhecimento e
progressão educacional, como parte de sua cidadania. Por essa razão, a
superação dos debates entre oralismo e gestualismo é fundamental para o
estabelecimento de um aprendizado focado no aluno e em sua equiparação aos
demais, em oportunidades e chances de aprendizado. Há uma severa dificuldade no
estabelecimento de práticas para as pessoas com surdez, mas, a reflexão docente
se configura como uma das chaves. O ensino do indivíduo surdo não tem como
barreiras, na maioria das vezes, dificuldades ou limitações em poder aprender o
conteúdo. O intelecto está ali, apto e pronto para aprender, mas, as práticas
precisam ser repensadas e reavaliadas para servirem a esta parcela
populacional.
Privilegiar uma ou outra
língua cria uma não igualdade, uma dualidade que não é bem-vinda na educação
inclusiva. É preciso que as práticas pedagógicas sejam eficientes em ensinar,
em educar, em formar. Nesse sentido, a tendência bilíngue tende a ser o caminho
mais acertado a ser seguido, porém, ainda em construção porque demanda intensa
reflexão e preparação por parte dos docentes, especialmente na abordagem da
realidade e contextualização destes alunos.

O fracasso educacional dos
alunos com surdez seria, portanto, bem menos ligado ao tipo de ensino (oralista
ou gestualista) e bem mais associado à qualidade da transposição dos conteúdos
para o aluno e sua realidade. Assim, não é o que ensinar, mas como ensinar. E
uma vez que este como esteja resolvido, é preciso posicionar em pé de igualdade
a língua mãe do surdo, a língua de sinais, a linguagem dominante dos ouvintes
em seu ensino e aprendizagem. Somente assim é que se poderá efetivamente
mencionar a inclusão, quando junto a esta condição a valorização das
potencialidades e não das dificuldades puder ser o eixo do aprendizado.
Assim, o Atendimento
Educacional Especializado (AEE) para pessoas com surdez faz a ponte para suprir
as demandas do aluno surdo dentro das necessidades de aprendizado, ensinando
com maior fluidez a sua língua mãe e oportunizando o apoio necessário à
equiparação. É um espaço de paridade e desenvolvimento, que se orienta ao que o
aluno apresenta de necessidades e o estimula a superação de seu quadro geral,
para a melhoria do mesmo. Nele, são construídas e reconstruídas experiências e
vivências para a produção do conhecimento, permitindo a dialogia na
aprendizagem e também sendo o primeiro espaço de construção das práticas
pedagógicas desejadas.
Por fim, no AEE, o aluno
deverá ter o aporte em sua língua e também o apoio para dominar e compreender a
língua portuguesa, sendo o AEE um espaço de alocação e engajamento do indivíduo
no seio educacional, de equiparação e igualdade. Sabe-se das diferenças entre a
língua de sinais e a língua portuguesa e também está no AEE, de modo específico
no trânsito entre o ambiente ouvinte e o surdo, a chave para a transposição e
domínio destes dois conhecimentos. Sendo assim, tanto pode servir para o ensino
da língua portuguesa como um todo quanto para o ensino de LIBRAS, quanto para
ambas as linguagens.
Referências:
DAMÁZIO,
M. F. M.; FERREIRA, J. Educação Escolar de Pessoas com Surdez-Atendimento
Educacional Especializado em Construção. Revista Inclusão: Brasília: MEC, V.5,
2010. p.46-57.
Observações: Imagens de Atendimento Educacional Especializado - Para Pessoas com Surdez de uma escola municipal em Campo Grande-MS